Não falo de coxas, quadris fartos, peitos arredondados e proeminentes. Isso são apenas atributos a mais. Já pensou se a minha natureza tivesse fadada ao fracasso da sensualidade desde que nasci e me levanto nessas pernas finas que Deus me deu? Claro que não pode, seria injusto por demais. A sensualidade vem de dentro, de bem dentro. De uma segurança que não mora em mim, que nunca morou.
Acho bem bonito uma mulher sensual quando chega. Ela tem um brilho próprio acompanhado de muitos, muitos olhares. Os homens ao redor possivelmente gostariam de tê-la ao lado, por sua segurança, pela autoestima bem alimentada, por um quê a mais que a moça de suingue próprio carrega no sorriso.
A mulher sensual é sensual até quando entorna uma lapada de cachaça. O faz numa desenvoltura de poucos, deixando, quem sabe, uma gotinha percorrer o limiar entre a linha do lábio inferior e o buraquinho do queixo. Pousa o copo na mesa com elegância e cruza as pernas como se ensaiasse uma apresentação de balé. E ri com o olhar; acusa com o olhar; faz sexo com o olhar, e talvez com todos os membros do seu corpo sem sequer sair do lugar.
A mulher sensual, a verdadeira, é uma das coisas mais bonitas que eu já vi.
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