sábado, 9 de novembro de 2013

Aceitando o fim

Não é exato. É preciso ser sentido, lá dentro, bem, bem no fundo. Não adianta lamentar o leite escorrendo pela mesa, aquele líquido chupado pela madeira há de se derramar muito em breve em suas pernas. Passa, antes disso, um pano seco; enxuga bem. Aceita o copo vazio, o que já foi. A última gota.

Não há mais porque cerrar os punhos. Não há luta. Não há mais nada. 

Vem cá que te digo que se manter é a pior das escolhas. É alargar a dor uns sete palmos adiante. Um tapete vermelho em que você certamente não vai querer passar mais uma vez. Aceitar o fim é virar à direita, para novos caminhos. É seguir consciente, ainda que com lágrimas nos olhos, buscando caminhos mais claros, mais leves, ainda que desconhecidos. Aceite a dor também. Ela faz parte do fim. 

Não brinque no pique-esconde de se iludir. Nenhuma meia palavra vai salvar o que já foi. Nem a palavra inteira. Esta que já se colocou à frente tantas vezes. Aceita. Mesmo que não seja fácil agora. Aceitar o fim é promessa de coração mais tranquilo, é virar a página e guardar o livro na estante para, vez ou outra, folhear e se emocionar com lembranças.

Aceita o fim sem estampar tua dor na cara dos outros, sem agredir, aceita mansamente. Aceita e você vai ver o quão melhor você vai se sentir. Não é possível ser fortaleza sempre e  não existe perder ou ganhar. Há só o vivido e o não vivido. Aceita e um outro alguém vai te aceitar também, tão bem.

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