Me pergunto,
sinceramente, quais foram os motivos que me levaram a comprar o celular tal,
que custava metade do meu salário e tinha os mesmos benefícios que o outro que não tinha a maçã mordida. Me pego, vez ou outra, caindo nessas
armadilhas deslumbrantes de consumir o que não posso para saciar a necessidade
que não tenho.
Isso vai em
roupas; sapatos; eletrônicos, que eu uso, mas nem tanto, mas nem sempre, mas
nem lembro... O kindle, coitado, não
superou nenhum dos cinco livros novos com aquele cheirinho de delícia que a
maioria dos livros tem.
No celular,
não sei nem botar música, creia! Meu computador poderia ser substituído por uma
máquina de escrever facilmente (papel e caneta não, pois sou preguiçosa). Se eu
pagasse pra usar o Word estaria, certamente, falida, mas, novamente, pra baixar
uma música, filme ou assistir um seriado só Jesus segurando a minha mão.
Felizmente,
consigo me conter em relação à maioria dos impulsos, já passei da minha fase
Becky Bloom. Hoje, só vez em quando, mas quando acontece bate aquele remorso.
Não é que eu me arrependa do Kindle
(afinal, a eternidade de livros que tem dentro dele esperando por mim aquece e acalma
meu coração, que tenta ser consciente) ou do celular, que virou meu computador
para acesso às redes de relacionamento. Mas dá uma inquietação ver aquele
casaco de ~couro~ que eu nunca usei, a sandália de salto que está mofada, as
três camisetas rendadas que eu nem lembrava que tinha. Fico triste de entrar na
onda de suprir faltas inexistentes.
Ao olhar para
aquele sapato desgastado, pintado três vezes, pedindo a todos os deuses para
que eu o aposente, percebo claramente que meu prazer real está em consumar
minhas paixões legítimas. Como quando você está exausta, deitada, partindo para
o mundo dos sonhos e aquele cheiro no pescoço e mão na barriga fazem você
acordar feliz para realizar, de novo, aquele jeito (o)usado de
sorrir. Gasto o que eu gosto como me gasto em quem quero. E é assim que a vida
segue sem arrependimentos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário