quarta-feira, 30 de outubro de 2013

"O Rio que passou em minha vida"

Acho que depois que vim morar na cidade maravilhosa, vivi alguns carrosséis de sentimentos. Primeiro, aquele deslumbre mais do que sensato com as belezas naturais da cidade. Eu, até hoje (diga-se de passagem), mal consigo dobrar uma esquina sem descobrir algum "rincón" encantado nessas veredas copacabanenses. Atualmente, entretanto, comecei a dividir carioca e Rio de Janeiro. 

A verdade é que conheci poucos cariocas que se equiparam às graças desse Riozão lindo. Entro num táxi e salto dele levando pra casa rabissacas, mau-humor e um troco muito do mal calculado. Peço um prato de comida em restaurante fino da orla e ganho um arremesso de bolonhesa por uma bagatela de R$ 30 reais e, para descer a comida junto com o tratamento do garçom goela abaixo, peço uma long neck que me custará pouco mais de R$ 7. Um dia, conto a história da moça do metrô, ela sozinha já renderia uma crônica charlatânica. 

Admiro o rio. Essa cidade que Deus desenhou ao final de sua experiência como criador do mundo, já diria Carlinha. Admiro não apenas pela beleza, mas por conseguir criar em mim essa onda de amor, de saudade da minha terra, de preguiça de ser gentil, de vontade de ser mais gentil ainda exercitando a "tapa de pelica" que vovó sempre me ensinou, de ser assim, tão inconstante, mas surpreendentemente encantadora. Uma cidade capaz de me dar um tapa na cara e me abençoar com um pôr do sol no Arpoador. 

Eu sou incrivelmente feliz aqui. Eu sou incrivelmente feliz exatamente porque o Rio de Janeiro é o tipo de cidade que não te presenteia como um Happy ending à la Manuel Carlos, mas que, em contrapartida, te proporciona felicidades pontuais e intensas. Simples como dar um bom-dia a um estranho. Aqui não há bons-dias aos estranhos. Aqui há outros amores, outras admirações, outras formas de ser. Ainda vou acertar em admirar os cariocas. Por enquanto, não posso me queixar de apatia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário