terça-feira, 29 de outubro de 2013

Girando

A gente se empurra, cada um pra extremidade oposta. E uma multidão dessas que varre a vida passa correndo, esbarrando na gente, derrubando tudo. Tem dia que vem daí, tem dia que vem daqui. Mas é tudo tão cíclico e perene. É preciso mudar. Mudar com autoconhecimento. Você daí e eu de cá. A vida já deu oportunidades, mas a gente se empurra e se abraça, num paradoxo louco que mais parece uma dança. Aí eu vou e você vem. Aí eu vou e você bem. Aí eu bem e você mal. Aí você vai e eu fico. Ou eu que nunca quis ir junto com você. Ou você que não sabe conduzir. Ou eu, ainda, que não sei interpretar o mundo, as coisas ao meu redor. A vida é assim mesmo, vem cá que eu te conto que girar nessa roda gigante só faz sentido desse jeito, enxergando de cima e de baixo, mas sem perder um momento sequer. A gente aprende assim. Aí vem você, me olhando lá de baixo, eu, tão pequena no alto da roda, perplexa com tanta imensidão, e me diz pra eu descer, pra eu finalmente tocar os pés no chão. Mas eu não quero, eu enxergo melhor daqui. E você diz o que aprendeu comigo: viver é rodar, rodar, entendeu? Ficar parado nunca foi uma opção. E estira os braços pra me acolher caso eu possa cair. Mas logo é você que está lá em cima e eu embaixo, esperando ansiosa e com medo de ficar só com tanta realidade junta. Meus pés afundam na terra pra garantir apoio, mas meus olhos querem saltar lá no alto. Aí você desce é é infinito. Girando, girando, nessa tontura de vida que a gente criou, que não é certa, que é nossa, mas que faz tanto mal e tanto bem a você e a mim.

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