terça-feira, 29 de outubro de 2013

Cheiro de azul

Ele, com dois dedinhos, conduzia sua curiosidade de um ombro ao outro dela. Como um bandeirante, desbravando aquele horizonte de cangote coberto por lisos cabelos castanhos. Ao pé do ouvido, entre um balbuciar de qualquer coisa doce, uma mordidinha no lóbulo da orelha, aqui e ali. A descoberta do sinal pretinho do lado esquerdo da base do pescoço, e um cheiro. Cheirar é uma tentativa de trazer um pouquinho da pessoa pra dentro, às vezes mais sexual do que o próprio sexo; às vezes mais amante que o amor. 

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