O ético do nosso tempo encarnou em vida na figura do politicamente correto. Aquele que é sem ser. A figura mais explorada pelas novelas da Rede Globo. Manoel Carlos chama de Helena. Você, certamente, teria outro nome a dar, pois estamos cercados deles.
É o indivíduo que está tão bem resolvido enquanto ser social que, agora, está fazendo estágio em fiscalização de vidas alheias. Ele dita o que fazer e como fazer em aulas diárias às almas perdidas pela civilização. Ele senta com o outro, também politicamente correto, e pergunta se anda tudo bem com Fulano de tal... “porque ele parece tão distraído em suas escolhas, né?”
O politicamente correto está envolvido com as questões ambientais, com os problemas da África – mesmo que apenas mandando ppt com fotos de crianças negras raquíticas para todos os contatos da sua caixa de email – e preocupa-se intensamente com o futuro dos nossos jovens, mesmo que não tenha ideia do que o próprio filho anda fazendo pela rua. Porque, lógico, até a adolescência dos filhos dos politicamente corretos é correta.
A intenção do cara provavelmente deve ser um lugar no céu. Esqueceu, coitado, que “céu” é uma invenção do Cristianismo que, por sua vez, está mais macomunado com o Diabo do que ele imagina.
Eu, contudo, aceito a vida como o estrago dela mesma, vivendo até a última conta. Pessoas bem resolvidas são escravas do julgamento do mundo, travestido, hoje, de opiniões “bem resolvidas”. Essas pessoas não têm carências, não têm ambições, não têm defeitos. São coerentes, equilibradas, justas, conscientes, comportadas, mas, antes de tudo, são hipócritas.
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