sábado, 14 de dezembro de 2013

Âmago

a André Braga

Sempre tive uma relação forte com a Língua portuguesa. Não sei se por uma questão essencial, por educação de casa ou se pelo meu verdadeiro amor por histórias. Ouvir e contar alcançou tamanha importância em minha vida que daí deve ter nascido a minha necessidade de registrar.

Escrever, então, é uma forma de eternizar minhas experiências com o mundo. Esse planeta sensorial, que me chega a tato, me toma os ouvidos, me salta (a)os olhos e faz eu me expandir em verbo. 

Vivo buscando a forma mais exata de dizer. Acredito que vou morrer sem encontrá-la. Mas essa aproximação com a natureza das palavras, de onde elas vêm e como utilizá-las como ferramentas de construção de sentido, aguça cada vez mais a minha procura por entender os meandros de minha Língua, é alimento. 

Não sei crescer sem me contar. Muito menos consigo conceber meu dia a dia sem o verbo do outro. A palavra tem por si essa necessidade de troca. 

Junto, então, uma voz na outra, construindo minha vida em vigas de sujeitos verborrágicos, em firulas de adjetivações, articulando tudo que é exato, conhecido. Amando as letras, sempre.

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